O Contexto da Caminhada Perceptiva
A Trilha das Quatro Ilhas é um dos patrimônios ecológicos e turísticos de Bombinhas - SC. Este diagnóstico foi conduzido de forma individual focado em uma área delimitada de amostragem: os primeiros 20 metros do acesso principal da trilha, logo na transição com a faixa de areia da praia.
Metodologia e Percepção: Diferente de projeções pessimistas comuns, a trilha apresentou-se surpreendentemente bem conservada e limpa em sua estrutura geral. Contudo, a ausência de infraestrutura básica de coleta (lixeiras públicas) no início do trajeto gera um gargalo onde pequenos resíduos descartados ou trazidos pelo vento acabam retidos nas margens da vegetação de restinga.
Métricas do Ecossistema
Metodologia de campo e autoria do levantamento
Atuação Individual
Nicholas de Oliveira Sica
O diagnóstico participativo apresentado neste trabalho foi realizado de forma individual, tendo como responsável Nicholas de Oliveira Sica, autor de todas as etapas da atividade extensionista. Em razão do formato individual do projeto, o mesmo pesquisador acumulou as funções de observação de campo, coleta de dados, registro fotográfico, categorização dos resíduos, interpretação dos padrões encontrados, elaboração do mapa do ponto analisado e redação do conteúdo final.
Metodologia Adotada
Caminhada Perceptiva e Análise de Margens
A metodologia adotada consistiu em uma caminhada perceptiva nos metros iniciais de acesso à Trilha das Quatro Ilhas, em Bombinhas/SC, com foco nos primeiros 20 metros da transição entre a faixa de areia e o início da trilha. Durante o percurso, foram observados os resíduos presentes no solo e nas margens da vegetação, registrando-se tipo de material, quantidade aproximada, possível origem e risco socioambiental associado. A partir desses registros, foi elaborada uma leitura interpretativa do espaço, buscando compreender não apenas o que foi descartado, mas também o que esses resíduos revelam sobre os hábitos de consumo, a infraestrutura disponível e a responsabilidade coletiva sobre o território.
Banco de Imagens e Triagem de Resíduos
Evidências fotográficas registradas in loco e suas respectivas classificações e diagnósticos.
Foto do Calçado (Tênis)
Calçado Abandonado (Tênis)
Perda por dano estrutural durante a caminhada ou abandono intencional de item avariado.
Foto dos Canudos Plásticos
Canudos Plásticos
Consumo de quiosques ou ambulantes da praia levados pelo vento ou descartados incorretamente por banhistas.
Foto dos Fragmentos de Papel
Papéis e Embalagens
Queda acidental de notas, recibos ou invólucros leves de alimentos industrializados transportados por pedestres.
Foto das Latas de Alumínio
Latas de Alumínio
Consumo de bebidas alcoólicas ou refrigerantes associado a momentos de lazer nas imediações da entrada.
Foto das Garrafas de Vidro
Garrafas Longneck
Descarte por usuários noturnos ou transeuntes de fim de tarde que utilizam o início da trilha como refúgio social.
Foto de Fios e Cabos
Fios e Cabos Desconectados
Resíduo oriundo de manutenção elétrica informal externa ou trazido e descartado pontualmente à margem.
Quadro sintético dos resíduos observados
A sistematização abaixo resume os principais resíduos identificados no trecho analisado da Trilha das Quatro Ilhas. As quantidades foram registradas de forma qualitativa, conforme a observação de campo, utilizando a escala pouco, pouco/médio e médio, já que o objetivo do levantamento não era realizar pesagem ou contagem censitária, mas compreender os padrões de descarte no espaço observado.
| Resíduo identificado | Categoria | Quantidade aproximada | Possível origem | Observação socioambiental |
|---|---|---|---|---|
| Calçado abandonado (tênis) | Rejeito / Têxtil | Pouco (1 un.) | Perda durante a caminhada ou abandono de item danificado | Decomposição lenta e potencial liberação de partículas sintéticas no ambiente |
| Canudos plásticos | Plásticos | Pouco / Médio | Consumo de praia, quiosques, ambulantes ou descarte inadequado por visitantes | Alto risco para fauna costeira e contribuição para microplásticos |
| Papéis e embalagens | Papel / Papelão | Médio | Embalagens leves, recibos ou resíduos de alimentos industrializados | Poluição visual e acúmulo em áreas de passagem |
| Latas de alumínio | Metais | Pouco | Consumo de bebidas por frequentadores da praia e da trilha | Material reciclável descartado incorretamente |
| Garrafas longneck | Vidro | Pouco / Médio | Uso recreativo e descarte por visitantes, sobretudo em horários de lazer | Risco de quebra e acidentes com pessoas e animais |
| Fios e cabos desconectados | Rejeitos / Eletrônicos | Pouco | Descarte urbano irregular ou sobra de manutenção informal | Material estranho à dinâmica natural da trilha e de difícil decomposição |
Leitura espacial do hotspot de resíduos
Embora o recorte analisado seja curto, a observação do espaço indicou que o problema do descarte inadequado não se distribui de maneira homogênea pela trilha, concentrando-se principalmente na zona de transição entre a praia e o acesso ao percurso ecológico. Esse comportamento permite caracterizar o local como um hotspot de borda, isto é, um ponto onde a circulação de visitantes, a ausência de infraestrutura de descarte e a ação do vento favorecem a retenção de resíduos leves nas margens da vegetação.
Zona ativa do hotspot: Raio de 0 a 20 metros a partir da transição com a faixa de areia da Praia das Quatro Ilhas.
Essa leitura reforça que o problema observado não decorre de uma degradação generalizada da Trilha das Quatro Ilhas, mas de um foco localizado de pressão antrópica na entrada do trajeto, diretamente associado ao uso turístico e recreativo do território.
Interpretação das Microzonas
Área de maior circulação de pessoas, com maior probabilidade de descarte rápido de embalagens, canudos e papéis.
Faixa de retenção de resíduos leves, especialmente materiais transportados pelo vento.
Espaço mais suscetível à presença de vidro, latas ou objetos abandonados após momentos de lazer.
Síntese do diagnóstico participativo
O diagnóstico realizado indica que a Trilha das Quatro Ilhas se mantém, em termos gerais, bem conservada, especialmente quando se considera o potencial de pressão turística da região. Ainda assim, os resíduos encontrados revelam que a entrada da trilha funciona como uma zona sensível, onde pequenas práticas de descarte se acumulam e produzem impactos ambientais, visuais e simbólicos.
Mais do que quantificar lixo, a Fase 1 permitiu identificar um padrão: o problema não está no interior do ecossistema como um todo, mas na fronteira entre lazer, consumo e natureza, onde a conveniência do descarte rápido encontra um espaço ambientalmente vulnerável e sem infraestrutura suficiente para conter esse comportamento.
Dilemas Éticos e Justiça Ambiental
Indo além dos dados ecológicos brutos: uma reflexão estruturada sobre a responsabilidade moral, social e estrutural do consumo e do lixo.
1. Diagnóstico de Impacto Socioambiental
Visitantes temporários, turistas e frequentadores sazonais da praia que utilizam a entrada da trilha como extensão recreativa. Contudo, a própria governança local gera passivamente o problema ao falhar na provisão de recipientes de lixo.
A biodiversidade local da restinga de Quatro Ilhas (vetores microbianos, fauna silvestre) e a própria comunidade de Bombinhas, cujo motor econômico depende diretamente da preservação intocada de suas belezas naturais.
Privatização do prazer do consumption imediato por indivíduos (descarte invisível), enquanto os custos de remediação ecológica, impacto visual e riscos de acidentes são socializados para o ecossistema coletivo e trabalhadores da limpeza pública.
Consumo turístico, desigualdade ambiental e trabalho invisível
A análise ética do lixo encontrado na Trilha das Quatro Ilhas permite compreender que o descarte inadequado não é apenas um problema de educação individual, mas também um reflexo de desigualdades na distribuição dos custos ambientais do consumo. Em áreas turísticas, como Bombinhas, parte significativa dos resíduos é produzida por visitantes temporários que usufruem da paisagem, do lazer e da infraestrutura local sem permanecer tempo suficiente para lidar com os efeitos duradouros de seus próprios descartes.
Nesse contexto, os custos do lixo são deslocados para outros agentes sociais e ecológicos: o ambiente costeiro, a vegetação de restinga, a fauna local, os moradores permanentes e os trabalhadores da limpeza urbana. Em outras palavras, o prazer privado do consumo imediato tende a gerar um ônus coletivo e contínuo, muitas vezes absorvido por pessoas que não participaram daquela prática de consumo específica. Essa lógica ajuda a explicar por que a discussão sobre resíduos também é uma discussão sobre justiça ambiental, responsabilidade compartilhada e invisibilização do trabalho de cuidado com o espaço público.
2. Painel Crítico de Dilemas Éticos
"É justo destinar meu lixo para outros lugares?"
Modelos de coleta terceirizada e centralizada removem o lixo de centros urbanos e turísticos populosos para aterros sanitários sanitariamente isolados, diminuindo riscos imediatos de saúde pública local.
Isso transfere a carga de poluição sistêmica e desvalorização imobiliária/social para regiões periféricas ou rurais, externalizando o custo ético do nosso padrão hiperconsumista.
"Quem deve ser responsável pelo destino final?"
A responsabilidade inicial deve recair sobre as corporações que fabricam embalagens plásticas e as prefeituras que gerenciam a infraestrutura de coleta municipal.
O consumidor final possui agência moral direta. Isentar o indivíduo do dever civilizado de carregar seu próprio lixo de volta na ausência de lixeiras perpetua a passividade ética ambiental.
"É ético consumir descartáveis plásticos?"
Plásticos de uso único trazem assepsia, baixo custo e acessibilidade de consumo para alimentos e bebidas em larga escala, viabilizando operações logísticas globais.
Produzir um polímero sintético indestrutível cuja utilidade dura 5 minutos (como um canudo plástico) e que persistirá por séculos intoxicando solos e águas é um contrasenso ético injustificável.
Do caso local ao problema global
O caso da Trilha das Quatro Ilhas evidencia, em escala reduzida, uma dinâmica presente em inúmeros territórios costeiros: resíduos de uso rápido e descarte fácil tendem a se concentrar em áreas de grande circulação turística, especialmente quando a infraestrutura pública não acompanha o fluxo de pessoas. Em Bombinhas, isso se manifesta na presença de plásticos, embalagens, latas e vidro justamente na zona de acesso entre praia e trilha.
Ao mesmo tempo, esse cenário dialoga com um problema global. Em diversas cidades litorâneas do mundo, resíduos descartáveis associados a bebidas, alimentos rápidos e conveniência turística acabam pressionando ecossistemas frágeis, ampliando a produção de microplásticos e sobrecarregando sistemas municipais de coleta. Assim, a realidade observada em Quatro Ilhas não deve ser tratada como um caso isolado, mas como uma expressão local de uma lógica mais ampla de consumo acelerado, externalização dos impactos e naturalização do descarte.
Síntese ética da investigação
A reflexão desenvolvida nesta etapa conduz a uma conclusão central: o lixo encontrado na entrada da trilha não é apenas matéria descartada, mas um registro material de escolhas sociais, hábitos de consumo e omissões institucionais. Ao mesmo tempo em que o visitante possui responsabilidade direta sobre o descarte do que consome, o poder público e os agentes econômicos que se beneficiam da circulação turística também participam da cadeia de responsabilidade ao definirem — ou negligenciarem — a infraestrutura de coleta, a sinalização educativa e a gestão preventiva do território.
Dessa forma, a resposta mais coerente ao problema não está em atribuir culpa a um único ator, mas em defender uma lógica de responsabilidade compartilhada, na qual indivíduo, comunidade, comércio e gestão pública reconheçam seu papel na preservação do espaço comum.
O Produto Final e a Prática Extensionista
A materialização do conhecimento: o site como capítulo digital de e-book e ação de educação ambiental pública.
O site como capítulo do e-book e ação pública de educação ambiental
A terceira etapa deste projeto de extensão consistiu na transformação do diagnóstico e da reflexão ética em um produto digital de acesso público, capaz de sistematizar, comunicar e ampliar o alcance do conhecimento produzido ao longo da pesquisa. Em vez de restringir os resultados a um relatório impresso ou a uma entrega de circulação limitada, optou-se pela criação de um site autoral, concebido como capítulo digital do e-book da disciplina e, simultaneamente, como ação extensionista de divulgação científica e educação ambiental.
Nesse sentido, a Fase 3 não representa apenas uma continuação formal do trabalho, mas sua materialização prática. O conteúdo levantado na caminhada perceptiva, a análise dos resíduos observados, os dilemas éticos discutidos e as propostas de intervenção foram reorganizados em linguagem digital, acessível e visualmente estruturada, permitindo que estudantes, moradores, visitantes e demais interessados possam conhecer o problema, refletir sobre ele e acessar as conclusões do projeto pela internet.
Ação Extensionista
Objetivo da ação extensionista
A ação desenvolvida nesta fase teve como objetivo converter a pesquisa acadêmica em um material de alcance social ampliado, utilizando a internet como meio de circulação do conhecimento. Ao disponibilizar o trabalho em formato de site, o projeto busca:
- ✓ Dar visibilidade ao diagnóstico realizado na Trilha das Quatro Ilhas;
- ✓ Apresentar de forma clara os resíduos encontrados e seus impactos;
- ✓ Estimular a reflexão ética sobre consumo, descarte e responsabilidade ambiental;
- ✓ Propor caminhos de intervenção e cuidado com o espaço público;
- ✓ Democratizar o acesso ao conteúdo produzido na disciplina, aproximando universidade, território e comunidade.
Justificativa do produto digital
A escolha do site como produto final da extensão responde a três necessidades do projeto. A primeira é a organização do conteúdo: o formato digital permite reunir, em uma única estrutura, a introdução do problema, o diagnóstico dos resíduos, o painel ético e as propostas de ação. A segunda é a acessibilidade, já que o site pode ser lido por diferentes públicos sem depender de circulação física de materiais.
A terceira é a capacidade de permanência e replicação, uma vez que o conteúdo publicado pode continuar sendo consultado, compartilhado e utilizado como referência em discussões futuras sobre resíduos, turismo e preservação ambiental em Bombinhas.
Produto executado e desdobramentos previstos
O principal produto efetivamente executado nesta fase foi a criação do site do projeto, estruturado como um capítulo digital sobre a Trilha das Quatro Ilhas, contendo:
- apresentação do recorte territorial e dos objetivos da pesquisa;
- diagnóstico participativo do trecho analisado;
- banco de resíduos observados e sistematização interpretativa;
- discussão ética sobre responsabilidade, desigualdade e descarte;
- propostas de ação comunitária e gestão do lixo no território.
O que o lixo nos conta?
Ao longo do trabalho, os resíduos encontrados na entrada da Trilha das Quatro Ilhas deixaram de ser apenas objetos descartados para se tornarem indícios concretos da relação entre turismo, consumo, conveniência e negligência ambiental. O lixo observado conta, em primeiro lugar, que o problema não está distribuído igualmente por toda a trilha: ele se concentra na fronteira entre a praia e o início do percurso, onde o fluxo humano é maior e o descarte rápido encontra menos barreiras.
Em segundo lugar, o lixo conta que a paisagem turística não é neutra. Embalagens, canudos, latas, vidro e rejeitos diversos revelam práticas de consumo marcadas pela pressa, pelo uso imediato e pela expectativa de que outra pessoa — ou o próprio ambiente — absorva as consequências do descarte. Em terceiro lugar, ele mostra que a preservação de um espaço natural não depende apenas da beleza do lugar ou do discurso ecológico, mas de infraestrutura, sinalização, responsabilidade cotidiana e cultura de cuidado.
Transformar esse diagnóstico em um site significa, portanto, transformar o lixo em linguagem pública: o que antes estava disperso no solo passa a ser reorganizado como conhecimento, crítica e proposta de intervenção.
Ações comunitárias propostas a partir do diagnóstico
Com base no diagnóstico realizado e nas reflexões éticas desenvolvidas ao longo do projeto, foram elaboradas propostas de ação que poderiam ser implementadas no entorno da Trilha das Quatro Ilhas ou adaptadas para outros espaços turísticos costeiros. As ações abaixo não foram executadas como parte da entrega atual, mas constituem desdobramentos concretos e coerentes com o problema identificado, funcionando como propostas extensionistas de intervenção, prevenção e sensibilização ambiental.
Instalação de contentores seletivos no acesso à trilha
A primeira proposta consiste na instalação de contentores seletivos de pequeno porte na zona de transição entre a praia e o início da trilha, especialmente nos pontos de maior circulação de visitantes. O objetivo é reduzir o descarte improvisado de resíduos leves, como papéis, plásticos e latas, oferecendo uma alternativa prática para o visitante no momento em que o consumo se encerra e a caminhada começa. A presença de recipientes adequados também reforça simbolicamente a ideia de que aquele espaço exige cuidado específico.
Placa educativa “Leve seu resíduo de volta”
A segunda proposta é a criação de uma placa educativa permanente na entrada da Trilha das Quatro Ilhas, com linguagem objetiva e visual acessível. A mensagem central seria o incentivo para que cada visitante leve seu resíduo de volta caso não encontre um ponto de descarte adequado, reforçando a responsabilidade individual sobre o próprio consumo. A placa poderia incluir orientações sobre resíduos mais comuns, tempo de decomposição de materiais e um QR Code direcionando para o site do projeto, ampliando a dimensão educativa da intervenção.
Campanha digital de conscientização para visitantes
A terceira proposta é o desenvolvimento de uma campanha digital de conscientização, voltada principalmente a turistas e frequentadores da praia, utilizando cards, vídeos curtos e materiais de rápida circulação em redes sociais. A campanha teria como foco a pergunta “o que o lixo nos conta?”, conectando os resíduos encontrados na trilha a mensagens sobre descarte responsável, preservação da restinga e cuidado com áreas naturais de uso coletivo. Essa ação dialoga diretamente com o produto final já executado, uma vez que o próprio site pode servir como base de conteúdo para futuras peças de divulgação.
Mutirão simbólico e roda de sensibilização
Como quarta proposta, sugere-se a realização de um mutirão simbólico de limpeza e sensibilização ambiental no acesso à trilha, acompanhado de uma breve conversa sobre os impactos dos resíduos observados no local. Mais do que uma limpeza pontual, a atividade teria caráter educativo, aproximando comunidade, estudantes e frequentadores da discussão sobre justiça ambiental, descarte e responsabilidade compartilhada. O objetivo não seria apenas recolher resíduos, mas tornar visível o problema e criar um momento coletivo de reflexão sobre o uso do espaço.
Propostas para a gestão do lixo no território analisado
A partir do diagnóstico realizado e das ações sugeridas, o trabalho aponta algumas diretrizes de gestão que podem contribuir para a preservação da entrada da Trilha das Quatro Ilhas:
Instalação de infraestrutura mínima de descarte nas zonas de transição entre praia e trilha;
Reforço de sinalização educativa voltada a visitantes e turistas;
Articulação entre poder público, comércio local e comunidade para manutenção dos pontos de coleta;
Monitoramento periódico do hotspot identificado, com registros comparativos ao longo do tempo;
Uso de materiais digitais e campanhas educativas para ampliar a consciência sobre descarte em áreas naturais;
Valorização do princípio da responsabilidade compartilhada, evitando que o custo do lixo recaia apenas sobre a limpeza urbana ou sobre o ecossistema local.
Essas diretrizes não eliminam, por si só, o problema dos resíduos, mas ajudam a deslocar a resposta ao lixo de uma lógica puramente corretiva para uma lógica preventiva, educativa e territorialmente orientada.
Proposta complementar de vídeos curtos de divulgação
Como continuidade possível da ação extensionista, propõe-se a criação de vídeos curtos de até 1 minuto para divulgação do projeto em redes sociais, páginas institucionais ou ambientes digitais de educação ambiental. Esse vídeos poderiam sintetizar o diagnóstico da trilha, apresentar os resíduos encontrados, explicar os dilemas éticos discutidos e convidar o público a adotar práticas simples de descarte responsável.
Considerações finais
O percurso desenvolvido ao longo deste projeto permitiu observar que a entrada da Trilha das Quatro Ilhas, apesar de inserida em um ambiente amplamente preservado, concentra sinais concretos de uma relação frágil entre consumo, lazer e responsabilidade ambiental. A caminhada perceptiva revelou um hotspot de resíduos associado ao uso turístico do espaço; a análise ética mostrou que o problema do lixo envolve não apenas escolhas individuais, mas também desigualdades na distribuição dos custos ambientais e falhas de infraestrutura; e a etapa final transformou esse conjunto de informações em um produto digital de acesso público, concebido como capítulo do e-book e ação extensionista de educação ambiental.
Ao assumir o site como forma de intervenção, o trabalho propõe que a universidade ultrapasse os limites da sala de aula e devolva à comunidade um material capaz de informar, sensibilizar e provocar reflexão. Mais do que registrar resíduos, este projeto buscou mostrar que o lixo conta histórias sobre o modo como habitamos os espaços, consumimos recursos e transferimos responsabilidades. Tornar essas histórias visíveis é, também, uma forma de cuidado com o território.